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	<title>Direitos dos Animais &#187; Aves</title>
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	<description>Fotos de animais, Animais em extinção, Animais estimação, Animais selvagens, animais de estimação, mesmo tudo sobre animais</description>
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		<title>Planar durante horas sem o menor esforço!</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 09:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aves]]></category>
		<category><![CDATA[planador]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma vez que a anatomia e as proporções dos órgãos variam ligeiramente de ave para ave, é muito natural que o modo de voar seja também diferente segundo as espécies, pelo menos no que respeita a certos pormenores. Sendo assim, podemos considerar esquematicamente que existem entre as aves dois tipos fundamentais de voo: o voo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma vez que a anatomia e as proporções dos órgãos variam ligeiramente de <strong>ave </strong>para <strong>ave</strong>, é muito natural que o modo de <strong>voar </strong>seja também diferente segundo as espécies, pelo menos no que respeita a certos pormenores. Sendo assim, podemos considerar esquematicamente que existem entre as <strong>aves </strong>dois tipos fundamentais de voo: o<strong> voo planado</strong> e o <strong>voo batido </strong>ou <strong>remado</strong>.</p>
<p>Encontraremos pois duas espécies de <strong>aves</strong>, segundo prefiram um ou outro destes dois tipos de voo em razão da sua anatomia, o que não significa que um <strong>planador </strong>nunca execute <strong>voo remado</strong>, e reciprocamente. Estudar o voo das <strong>aves </strong>é coisa muito delicada, que os mais eminentes <strong>biólogos </strong>não conseguiram ainda levar a bom termo: as dificuldades maiores que se lhes deparam residem na extrema complexidade dos movimentos da asas, e também nas deformações que o órgão sofre no decurso do voo. Tudo isto impede as experiências em «túneis de vento», tão úteis quando se trata de definir as características das asas de um avião. Só os estudos cinematográficos proporcionam resultados interessantes, e mesmo assim não é fácil traduzir em linguagem clara o que nos mostram as sequências mais complexas.</p>
<p>O <strong>voo planado</strong> é sem dúvida a forma mais rudimentar de voo, pelo menos se nos fiarmos na cronologia dos acontecimentos: foi o que adoptaram, com efeito, os primeiros vertebrados que procuraram os ares. Os <strong>pterodáctilos</strong>, os <strong>pteronodontes </strong>e outros <strong>répteis </strong>voadores dispunham de imensas membranas alares: estavam reduzidos a lançar-se do alto das falésias para planar algum tempo acima da superfície das águas, procurando <strong>peixes</strong>; os próprios <strong>arqueopterix </strong>protótipos das <strong>aves</strong>, trepavam às árvores ou aos rochedos com a ajuda das garras: não podiam, com toda a certeza, fazer muito melhor do que os <strong>répteis</strong>.</p>
<p>O <strong>voo planado</strong> exige relativamente pouco esforço: para praticá-lo, a <strong>ave </strong>limita-se a manter as <strong>asas </strong>abertas; quem já teve ocasião (cada vez mais rara) de admirar na montanha o voo das <strong>águias</strong>, surpreendeu-se sem dúvida ao vê-las descrever intermináveis círculos, durante minutos e minutos, sem fazer o mais pequeno movimento com as <strong>asas</strong>. E não só não perdem altitude, como por vezes até se elevam com a maior das facilidades. Um piloto de <strong>planador </strong>saberia certamente explicar este fenómeno que tanto nos maravilha: dir-nos-ia como, através do seu aparelho, sente as correntes de ar ascendentes que lhe permitem percorrer dezenas, ou até centenas de quilómetros.</p>
<p>Estas correntes de ar têm na sua maior parte uma origem térmica: devem-se ao aquecimento das massas de ar em contacto com o solo e à sua ascensão, provocada por uma densidade mais fraca em relação às camadas frias situadas em altitude. As correntes ascendentes explicam-se também pelos remoinhos de ar nos terrenos acidentados, nomeadamente na montanha, domínio incontestado das <strong>águias</strong>.</p>
<p>Entre as <strong>aves </strong>«<strong>boas planadores</strong>», distinguem-se duas «escolas» que se fazem concorrência mútua: há as <strong>aves de asas largas</strong> e <strong>cauda em leque</strong>: são de um modo geral rapaces, como as <strong>águias</strong>, os <strong>abutres </strong>e os <strong>falcões</strong>; as outras aproximar-se-iam mais dos <strong>planadores </strong>fabricados pelo homem: são as grandes <strong>aves marinhas</strong>, como as <strong>fragatas </strong>e os <strong>albatrozes</strong>, aos quais as <strong>asas finas</strong> e muito compridas dão uma envergadura de vários metros!</p>
<p>O melhor dos <strong>planadores </strong>é incontestavelmente o <strong>albatroz</strong>, que pratica de resto um voo de tipo especial: voando poucos metros acima do mar, não utiliza nem os remoinhos de ar, praticamente inexistentes a esse nível, nem as correntes térmicas, demasiado fracas. A sua técnica consiste em explorar as variações da velocidade do vento em função da altitude.</p>
<p>Acontece, com efeito, que o vento é muito mais «travado» em contacto com as ondas do que a 10 ou 15 metros de altitude. Quando a <strong>ave </strong>se deixa cair de bastante alto, ultrapassa a velocidade do vento, graças ao que, regulando correctamente à posição das <strong>asas</strong>, consegue voltar a subir. Fazendo isto, atinge a zona onde a velocidade do vento aumenta de um modo sensível: voltando-se então para a massa de ar que se desloca, à maneira do avião que descola, o <strong>albatroz </strong>ganha ainda mais altitude.</p>
<p>O <strong>voo planado</strong> do <strong>albatroz </strong>reduz-se pois a um conjunto de subidas e descidas astuciosamente alternadas, aproveitando o aumento e a diminuição da velocidade do vento.</p>
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		<title>O incrível mundo das aves: Quando as galinhas tinham dentes!</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 17:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tendo esboçado a traços largos a história das aves, poderíamos agora interessar-nos pelos caracteres reptilinianos destes animais. A priori, não passaria certamente pela cabeça de ninguém ver entre répteis e aves um certo «ar de família»: o que sabemos do seu longínquo parentesco, porém, permite-nos compreender o grande número de caracteres fundamentais que possuem em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tendo esboçado a traços largos a história das aves, poderíamos agora interessar-nos pelos caracteres reptilinianos destes animais. A priori, não passaria certamente pela cabeça de ninguém ver entre répteis e aves um certo «ar de família»: o que sabemos do seu longínquo parentesco, porém, permite-nos compreender o grande número de caracteres fundamentais que possuem em comum.</p>
<p>Sabemos, por exemplo, que répteis e aves põem ovos de estruturas vizinhas que se desenvolvem exactamente da mesma maneira. E na anatomia destes animais encontram-se homologias, ainda que sem dúvida menos evidentes: aves e répteis possuem uma cloaca, via única para evacuar os produtos urinários, genitais e intestinais; as escamas que as aves apresentam nas patas são em todos os pontos semelhantes às do lagarto ou do crocodilo. Poderíamos multiplicar os exemplos das similitudes entre as duas classes; cada um destes argumentos tomados separadamente teria sem dúvida muita dificuldade em convencer o profano das relações que unem o crocodilo ao rouxinol, mas temos de admitir que o conjunto das convergências encontradas, tanto na anatomia como na fisiologia destes animais, não pode ser considerado fruto do acaso: tais semelhanças são os «traços» inevitáveis deixados por um parentesco que remonta a cerca de 150 milhões de anos.</p>
<p>Acrescentemos algumas palavras sobre esses famosos dentes que, como todos sabemos, as aves não possuem: conhecemos bem o significado de uma promessa remetida para «quando as galinhas tiverem dentes», mas ignoramos com frequência que, geologicamente falando, não está muito longe a época em que as aves possuíam, na verdade, dentes. Os embriões das aves que conhecemos, quer se trate de galinhas, de águias ou de flamingos, têm todos, a um dado momento da sua vida, germes dentários autênticos que abortam antes do nascimento do animal.</p>
<p>Trata-se de um vestígio do passado, de uma prova irrefutável de origem reptiliniana das aves que se vem juntar às outras, se preciso fosse. Não há a mínima dúvida de que se a evolução tivesse possibilidades de fazer «marcha atrás», o que faz muito raramente e sempre por acidente, as galinhas reencontrariam os dentes que perderam no decurso dos milénios, e isto para grande espanto nosso!</p>
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		<title>O incrível mundo das aves: Evolução!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 11:29:22 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Aves]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma vez que os geólogos são perfeitamente capazes de datar os terrenos sedimentares, é possível saber a quando remonta a época em que vivia esta espécie de protótipo inacabado que é o arqueopterix. Os paleontólogos, especialistas em fósseis, pensam que é preciso retroceder 150 milhões de anos para situar a mutação dos répteis em aves. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma vez que os geólogos são perfeitamente capazes de datar os terrenos sedimentares, é possível saber a quando remonta a época em que vivia esta espécie de protótipo inacabado que é o arqueopterix. Os paleontólogos, especialistas em fósseis, pensam que é preciso retroceder 150 milhões de anos para situar a mutação dos répteis em aves. Haveria pois pouco menos de 150 milhões de anos que as aves sulcam os céus: isto pode parecer enorme, mas se tivermos em conta que o apareci¬mento da vida na Terra remonta a 2 biliões e 700 milhões de anos, fazem na verdade figura de recém-chegadas.</p>
<p>Comparadas aos insectos, que fizeram as suas primeiras tentativas de voo cerca de 200 milhões de anos antes delas, são o fruto de uma evolução recente; não foram, de resto, os primeiros vertebrados a voar: certos répteis de enormes asas membranosas deslocavam-se já em voo planado quando as primeiras aves fizeram a sua tímida aparição. Simples fenómeno de convergência, sem dúvida, essas curiosas criaturas reptilinianas a que chamamos pterodáctilo e pteronodonte tinham adquirido alguns caracteres próprios das aves, nomeadamente um comprido bico e ossos de fraca densidade.</p>
<p>Estes répteis voadores, de asas tão grandes que não podiam pousar em terra sob pena de nunca mais levantarem voo, foram contemporâneos das primeiras aves; mas o seu destino não era prosseguir por muito tempo uma carreira aérea: como todos os grandes répteis, deviam desaparecer no fim da era secundária.</p>
<p>Sob muitos aspectos, de resto, a solução encontrada pelas aves era melhor do que a deles; não procuraremos resolver aqui o problema do desaparecimento dos répteis e o aparecimento das aves (e também o dos mamíferos) existe uma coincidência pelo menos curiosa.</p>
<p>Era preciso que os répteis voadores desaparecessem para deixar o campo livre às aves? Terá a expansão das plantas que dão flor, nesta mesma época, inevitavelmente conjugada à dos insectos apanhadores, favorecido a invasão do globo pelas aves, seus predadores? Porque o esqueleto destes animais se conserva bastante mal, devido à estrutura tubular dos ossos, há uma lacuna de vários milhões de anos entre o arqueopterix e as primeiras aves «modernas». Entre eles situam-se o icthyornis, animal vizinho da gaivota actual, assim como o hesperornis, essa grande ave mergulhadora de bico ainda dentado, incapaz de voar.</p>
<p>
<a href="http://direitosdosanimais.com/wp-content/gallery/fotos-aves/aves-comer-01.jpg" title="" class="thickbox" rel="singlepic301" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://direitosdosanimais.com/index.php?callback=image&amp;pid=301&amp;width=320&amp;height=240&amp;mode=" alt="aves-comer-01.jpg" title="aves-comer-01.jpg" />
</a>
A partir do momento em que os répteis voadores desaparecem, o mundo das aves como que explode, dando nascimento a numerosas espécies. Se pudéssemos saltar para trás 20 ou 30 milhões de anos, não notaríamos grandes diferenças, pelo menos no que respeita à fauna alada; é verdade que encontraríamos aves monstruosas, com três metros de altura, mas também espécies relativamente vizinhas das que hoje existem. Os antepassados das avestruzes, das garças, dos pelicanos, dos patos e de muitas outras aves nossas conhecidas, povoavam já a Terra; mas dos milhares de espécies nascidas nessas épocas, poucas chegariam até nós. Atravessar a era quaternária seria para elas uma rude prova: as flutuações entre períodos glaciares e interglaciares, as bruscas variações das condições climáticas, fizeram uma hecatombe no mundo animal.</p>
<p>Entre as perturbações criadas pelas glaciações (para além do desaparecimento de numerosas espécies) há uma extremamente curiosa que põe alguns problemas quanto à definição de «espécie». Antes das glaciações, os picancilhos (aves trepadoras) formavam uma só espécie, largamente distribuída por toda a Europa; quando os glaciares dividiram, esquematicamente, o continente em duas regiões, a espécie viu-se cindida em duas populações, uma oriental, a outra ocidental. Com a ajuda do tempo, e também, sem dúvida, de certos factores geográficos, as aves ocidentais especializaram-se na exploração das cascas rugosas, ao passo que as orientais preferiam as árvores lisas.</p>
<p>Terminadas as glaciações, as populações ocidentais e orientais reocuparam a área abandonada pelos glaciares e «reencontraram-se». Misturaram-se, para voltar a formar uma única e mesma espécie, como seria de esperar? Nada disso: se bem que morfologicamente idênticas e fisiologicamente capazes de reproduzir-se entre si, as duas populações que tinham adquirido «hábitos» diferentes ignoraram-se como poderiam fazê-lo espécies distintas.</p>
<p>Temos aqui um exemplo do nascimento de duas espécies a partir de uma, duas espécies constituídas por animais morfologicamente semelhantes e teoricamente interfecundos, mas que só mantêm entre si simples relações de vizinhança.</p>
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		<title>O incrível mundo das aves: História e anatomia!</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 19:39:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A ANATOMIA PARTICULAR DAS AVES O arqueopterix ou a descoberta retumbante da primeira ave fóssil O importante problema da origem das espécies foi sem dúvida um dos que mais paixão despertaram entre os naturalistas. Até à segunda metade do século XIX, a maior parte dos sábios admitia que as espécies tinham sido criadas simultaneamente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5>A ANATOMIA PARTICULAR DAS AVES</h5>
<h5>O arqueopterix ou a descoberta retumbante da primeira ave fóssil</h5>
<p>O importante problema da origem das espécies foi sem dúvida um dos que mais paixão despertaram entre os naturalistas. Até à segunda metade do século XIX, a maior parte dos sábios admitia que as espécies tinham sido criadas simultaneamente e se tinham perpetuado sem nunca sofrerem a mais pequena modificação: era a teoria do fixismo, que acarretava consigo, como corolário inevitável, o criacionismo. Será preciso dizer que, mau grado o seu carácter oficial, esta teoria não era aceite por todos?</p>
<p>Alguns naturalistas, que eram também filósofos, avançavam timidamente teses opostas, mas, à falta de provas tangíveis, viam-se condenados ao silêncio. O sábio francês LAMARCK, sobretudo, foi severamente criticado pelo seu contemporâneo CUVIER. Pois não ousava, com a sua famosa fórmula «a função cria o órgão», afirmar que as espécies derivavam umas das outras e que evoluíam lentamente com o passar do tempo? Muito mal acolhidas, quase ridicularizadas, as ideias de LAMARCK caíram rapidamente no esquecimento.</p>
<p>Em 1859, ou seja, trinta anos após a morte de LAMARCK, DARWIN publicava o seu ensaio sobre A Origem das Espécies: o tema principal era a ideia da selecção natural, tema seriamente ilustrado por inúmeros exemplos tirados do conjunto do mundo vivo. Se bem que de alcances diferentes, as teorias de LAMARCK. e de DARWIN não eram incompatíveis: ambas se baseavam na ideia fundamental segundo a qual o mundo vivo forma uma única e imensa «família ».</p>
<p>Faltava, infelizmente, para apoiar este pensamento revolucionário, uma prova, que a Natureza ia, de um modo que podemos considerar providencial, proporcionar a DARWIN sob a forma de um magnífico fóssil. Não havia, com efeito, dois anos que A Origem das Espécies aparecera, quando se descobriu, perfeitamente conservada nas ardósias da Baviera, essa extraordinária relíquia de caracteres ambíguos a que se deu o nome de arqueopterix («asas muito antigas»).</p>
<p>A descoberta deste fóssil meio-réptil meio-ave ganhava o valor de um acontecimento retumbante, de consequências enormes para o desenvolvimento do pensamento científico: era a prova irrefutável de que as espécies nascem efectivamente umas das outras. Este animal intermédio, que não perdera ainda os seus caracteres de réptil mas apresentava já os traços de uma ave, era a resposta aos sonhos de DARWIN: a teoria do evolucionismo ia triunfar. Além deste aspecto histórico da mais alta importância, a descoberta do arqueopterix proporciona-nos informações muito interessantes: esclarece-nos, nomeadamente, sobre a origem da classe das aves e sobre o porquê dos caracteres anatómicos dos seus representantes.</p>
<p>Notemos de passagem que se o arqueopterix pôs alguns problemas aos sistemáticos, por via da sua anatomia ambígua, não foi o único a fazê-lo. Depois dele foram descobertas outras formas fósseis que só podiam situar-se entre duas classes vizinhas. O famoso seymouria, meio-batráquio meio-réptil, permitiu explicar a passagem dos batráquios para os répteis; o ichthyostega, indiscutível intermediário entre peixes e batráquios, mostra-nos como se fez a conquista do meio aéreo. Todas estas preciosas relíquias ocupam uma posição «estratégica» na história dos vertebrados; pondo problemas insolúveis aos sistemáticos, mostram do mesmo golpe o absurdo de uma classificação «fixa ».</p>
<p>Mas voltemos ao fóssil que nos interessa e imaginemo-lo tal como vivia há 150 milhões de anos.<br />
O arqueopterix, dissemos nós, apresentava uma curiosa mistura de caracteres reptilinianos e de traços pertencentes às aves. Possuía, com efeito, uma cabeça de lagarto, e os seus dentes cónicos implantados em alvéolos recordavam em tudo os dos crocodilos actuais. Dos répteis, o arqueopterix tinha ainda uma comprida cauda constituída por vinte vértebras, e a sua bacia era, também ela, de «concepção» indiscutivelmente reptiliniana.</p>
<p>Em contrapartida, mau grado a presença no antebraço de dedos munidos de garras, a ossatura da asa aproximava-se da que encontramos nas aves; quanto ao corpo do animal, e isto vê-se sem margem para dúvidas na impressão deixada no sedimento, era completamente coberto de penas. Sem este argumento, é verosímil que os paleontólogos o tivessem classificado de uma vez por todas entre os répteis. A presença de penas, órgãos que só as aves possuem, basta para que o situemos entre estas últimas.</p>
<p>A anatomia deste animal permite-nos pensar que voava bastante desajeitadamente : as asas arredondadas e a comprida cauda aberta em leque fazem dele uma espécie de planador que, tudo o indica, devia lançar-se do alto das árvores ou dos penhascos para percorrer curtos trajectos; neste aspecto recorda de um modo estranho os seus primos reptilinianos, os pterodáctilos. A configuração do esqueleto torna lícito imaginar que, uma vez no solo, o arqueopterix era capaz de correr, graças às patas bem desenvolvidas. Quando queria fazer um voo planado, começava por trepar a uma árvore, servindo-se para isso das asas munidas de garras.</p>
<p>Conhecemos relativamente bem a anatomia do arqueopterix, do qual possuímos hoje três espécimes (o último foi descoberto na mesma região que o primeiro, em 1956); mas no que respeita à sua origem, estamos reduzidos a hipóteses. Contrariamente ao que poderíamos pensar, o arqueopterix não pertence à mesma linhagem que o pterodáctilo, seu «companheiro» reptiliniano de voo. Imagine-mo-lo despojado das penas: parece-se mais com esses grandes dinossauros que se conservavam de pé sobre as enormes patas posteriores e que faziam por vezes da cauda um apoio, quando a não utilizavam como balanceiro. Não é infelizmente possível ir muito mais longe nas nossas hipóteses: para nós, portanto, o reino das aves começa com o arqueopterix.</p>
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