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	<title>Direitos dos Animais &#187; anatomia</title>
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		<title>O incrível mundo das aves: Quando as galinhas tinham dentes!</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 17:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tendo esboçado a traços largos a história das aves, poderíamos agora interessar-nos pelos caracteres reptilinianos destes animais. A priori, não passaria certamente pela cabeça de ninguém ver entre répteis e aves um certo «ar de família»: o que sabemos do seu longínquo parentesco, porém, permite-nos compreender o grande número de caracteres fundamentais que possuem em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tendo esboçado a traços largos a história das aves, poderíamos agora interessar-nos pelos caracteres reptilinianos destes animais. A priori, não passaria certamente pela cabeça de ninguém ver entre répteis e aves um certo «ar de família»: o que sabemos do seu longínquo parentesco, porém, permite-nos compreender o grande número de caracteres fundamentais que possuem em comum.</p>
<p>Sabemos, por exemplo, que répteis e aves põem ovos de estruturas vizinhas que se desenvolvem exactamente da mesma maneira. E na anatomia destes animais encontram-se homologias, ainda que sem dúvida menos evidentes: aves e répteis possuem uma cloaca, via única para evacuar os produtos urinários, genitais e intestinais; as escamas que as aves apresentam nas patas são em todos os pontos semelhantes às do lagarto ou do crocodilo. Poderíamos multiplicar os exemplos das similitudes entre as duas classes; cada um destes argumentos tomados separadamente teria sem dúvida muita dificuldade em convencer o profano das relações que unem o crocodilo ao rouxinol, mas temos de admitir que o conjunto das convergências encontradas, tanto na anatomia como na fisiologia destes animais, não pode ser considerado fruto do acaso: tais semelhanças são os «traços» inevitáveis deixados por um parentesco que remonta a cerca de 150 milhões de anos.</p>
<p>Acrescentemos algumas palavras sobre esses famosos dentes que, como todos sabemos, as aves não possuem: conhecemos bem o significado de uma promessa remetida para «quando as galinhas tiverem dentes», mas ignoramos com frequência que, geologicamente falando, não está muito longe a época em que as aves possuíam, na verdade, dentes. Os embriões das aves que conhecemos, quer se trate de galinhas, de águias ou de flamingos, têm todos, a um dado momento da sua vida, germes dentários autênticos que abortam antes do nascimento do animal.</p>
<p>Trata-se de um vestígio do passado, de uma prova irrefutável de origem reptiliniana das aves que se vem juntar às outras, se preciso fosse. Não há a mínima dúvida de que se a evolução tivesse possibilidades de fazer «marcha atrás», o que faz muito raramente e sempre por acidente, as galinhas reencontrariam os dentes que perderam no decurso dos milénios, e isto para grande espanto nosso!</p>
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		<title>O incrível mundo das aves: História e anatomia!</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 19:39:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A ANATOMIA PARTICULAR DAS AVES O arqueopterix ou a descoberta retumbante da primeira ave fóssil O importante problema da origem das espécies foi sem dúvida um dos que mais paixão despertaram entre os naturalistas. Até à segunda metade do século XIX, a maior parte dos sábios admitia que as espécies tinham sido criadas simultaneamente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5>A ANATOMIA PARTICULAR DAS AVES</h5>
<h5>O arqueopterix ou a descoberta retumbante da primeira ave fóssil</h5>
<p>O importante problema da origem das espécies foi sem dúvida um dos que mais paixão despertaram entre os naturalistas. Até à segunda metade do século XIX, a maior parte dos sábios admitia que as espécies tinham sido criadas simultaneamente e se tinham perpetuado sem nunca sofrerem a mais pequena modificação: era a teoria do fixismo, que acarretava consigo, como corolário inevitável, o criacionismo. Será preciso dizer que, mau grado o seu carácter oficial, esta teoria não era aceite por todos?</p>
<p>Alguns naturalistas, que eram também filósofos, avançavam timidamente teses opostas, mas, à falta de provas tangíveis, viam-se condenados ao silêncio. O sábio francês LAMARCK, sobretudo, foi severamente criticado pelo seu contemporâneo CUVIER. Pois não ousava, com a sua famosa fórmula «a função cria o órgão», afirmar que as espécies derivavam umas das outras e que evoluíam lentamente com o passar do tempo? Muito mal acolhidas, quase ridicularizadas, as ideias de LAMARCK caíram rapidamente no esquecimento.</p>
<p>Em 1859, ou seja, trinta anos após a morte de LAMARCK, DARWIN publicava o seu ensaio sobre A Origem das Espécies: o tema principal era a ideia da selecção natural, tema seriamente ilustrado por inúmeros exemplos tirados do conjunto do mundo vivo. Se bem que de alcances diferentes, as teorias de LAMARCK. e de DARWIN não eram incompatíveis: ambas se baseavam na ideia fundamental segundo a qual o mundo vivo forma uma única e imensa «família ».</p>
<p>Faltava, infelizmente, para apoiar este pensamento revolucionário, uma prova, que a Natureza ia, de um modo que podemos considerar providencial, proporcionar a DARWIN sob a forma de um magnífico fóssil. Não havia, com efeito, dois anos que A Origem das Espécies aparecera, quando se descobriu, perfeitamente conservada nas ardósias da Baviera, essa extraordinária relíquia de caracteres ambíguos a que se deu o nome de arqueopterix («asas muito antigas»).</p>
<p>A descoberta deste fóssil meio-réptil meio-ave ganhava o valor de um acontecimento retumbante, de consequências enormes para o desenvolvimento do pensamento científico: era a prova irrefutável de que as espécies nascem efectivamente umas das outras. Este animal intermédio, que não perdera ainda os seus caracteres de réptil mas apresentava já os traços de uma ave, era a resposta aos sonhos de DARWIN: a teoria do evolucionismo ia triunfar. Além deste aspecto histórico da mais alta importância, a descoberta do arqueopterix proporciona-nos informações muito interessantes: esclarece-nos, nomeadamente, sobre a origem da classe das aves e sobre o porquê dos caracteres anatómicos dos seus representantes.</p>
<p>Notemos de passagem que se o arqueopterix pôs alguns problemas aos sistemáticos, por via da sua anatomia ambígua, não foi o único a fazê-lo. Depois dele foram descobertas outras formas fósseis que só podiam situar-se entre duas classes vizinhas. O famoso seymouria, meio-batráquio meio-réptil, permitiu explicar a passagem dos batráquios para os répteis; o ichthyostega, indiscutível intermediário entre peixes e batráquios, mostra-nos como se fez a conquista do meio aéreo. Todas estas preciosas relíquias ocupam uma posição «estratégica» na história dos vertebrados; pondo problemas insolúveis aos sistemáticos, mostram do mesmo golpe o absurdo de uma classificação «fixa ».</p>
<p>Mas voltemos ao fóssil que nos interessa e imaginemo-lo tal como vivia há 150 milhões de anos.<br />
O arqueopterix, dissemos nós, apresentava uma curiosa mistura de caracteres reptilinianos e de traços pertencentes às aves. Possuía, com efeito, uma cabeça de lagarto, e os seus dentes cónicos implantados em alvéolos recordavam em tudo os dos crocodilos actuais. Dos répteis, o arqueopterix tinha ainda uma comprida cauda constituída por vinte vértebras, e a sua bacia era, também ela, de «concepção» indiscutivelmente reptiliniana.</p>
<p>Em contrapartida, mau grado a presença no antebraço de dedos munidos de garras, a ossatura da asa aproximava-se da que encontramos nas aves; quanto ao corpo do animal, e isto vê-se sem margem para dúvidas na impressão deixada no sedimento, era completamente coberto de penas. Sem este argumento, é verosímil que os paleontólogos o tivessem classificado de uma vez por todas entre os répteis. A presença de penas, órgãos que só as aves possuem, basta para que o situemos entre estas últimas.</p>
<p>A anatomia deste animal permite-nos pensar que voava bastante desajeitadamente : as asas arredondadas e a comprida cauda aberta em leque fazem dele uma espécie de planador que, tudo o indica, devia lançar-se do alto das árvores ou dos penhascos para percorrer curtos trajectos; neste aspecto recorda de um modo estranho os seus primos reptilinianos, os pterodáctilos. A configuração do esqueleto torna lícito imaginar que, uma vez no solo, o arqueopterix era capaz de correr, graças às patas bem desenvolvidas. Quando queria fazer um voo planado, começava por trepar a uma árvore, servindo-se para isso das asas munidas de garras.</p>
<p>Conhecemos relativamente bem a anatomia do arqueopterix, do qual possuímos hoje três espécimes (o último foi descoberto na mesma região que o primeiro, em 1956); mas no que respeita à sua origem, estamos reduzidos a hipóteses. Contrariamente ao que poderíamos pensar, o arqueopterix não pertence à mesma linhagem que o pterodáctilo, seu «companheiro» reptiliniano de voo. Imagine-mo-lo despojado das penas: parece-se mais com esses grandes dinossauros que se conservavam de pé sobre as enormes patas posteriores e que faziam por vezes da cauda um apoio, quando a não utilizavam como balanceiro. Não é infelizmente possível ir muito mais longe nas nossas hipóteses: para nós, portanto, o reino das aves começa com o arqueopterix.</p>
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