Planar durante horas sem o menor esforço!

Planar durante horas sem o menor esforço!

Uma vez que a anatomia e as proporções dos órgãos variam ligeiramente de ave para ave, é muito natural que o modo de voar seja também diferente segundo as espécies, pelo menos no que respeita a certos pormenores. Sendo assim, podemos considerar esquematicamente que existem entre as aves dois tipos fundamentais de voo: o voo planado e o voo batido ou remado.

Encontraremos pois duas espécies de aves, segundo prefiram um ou outro destes dois tipos de voo em razão da sua anatomia, o que não significa que um planador nunca execute voo remado, e reciprocamente. Estudar o voo das aves é coisa muito delicada, que os mais eminentes biólogos não conseguiram ainda levar a bom termo: as dificuldades maiores que se lhes deparam residem na extrema complexidade dos movimentos da asas, e também nas deformações que o órgão sofre no decurso do voo. Tudo isto impede as experiências em «túneis de vento», tão úteis quando se trata de definir as características das asas de um avião. Só os estudos cinematográficos proporcionam resultados interessantes, e mesmo assim não é fácil traduzir em linguagem clara o que nos mostram as sequências mais complexas.

O voo planado é sem dúvida a forma mais rudimentar de voo, pelo menos se nos fiarmos na cronologia dos acontecimentos: foi o que adoptaram, com efeito, os primeiros vertebrados que procuraram os ares. Os pterodáctilos, os pteronodontes e outros répteis voadores dispunham de imensas membranas alares: estavam reduzidos a lançar-se do alto das falésias para planar algum tempo acima da superfície das águas, procurando peixes; os próprios arqueopterix protótipos das aves, trepavam às árvores ou aos rochedos com a ajuda das garras: não podiam, com toda a certeza, fazer muito melhor do que os répteis.

O voo planado exige relativamente pouco esforço: para praticá-lo, a ave limita-se a manter as asas abertas; quem já teve ocasião (cada vez mais rara) de admirar na montanha o voo das águias, surpreendeu-se sem dúvida ao vê-las descrever intermináveis círculos, durante minutos e minutos, sem fazer o mais pequeno movimento com as asas. E não só não perdem altitude, como por vezes até se elevam com a maior das facilidades. Um piloto de planador saberia certamente explicar este fenómeno que tanto nos maravilha: dir-nos-ia como, através do seu aparelho, sente as correntes de ar ascendentes que lhe permitem percorrer dezenas, ou até centenas de quilómetros.

Estas correntes de ar têm na sua maior parte uma origem térmica: devem-se ao aquecimento das massas de ar em contacto com o solo e à sua ascensão, provocada por uma densidade mais fraca em relação às camadas frias situadas em altitude. As correntes ascendentes explicam-se também pelos remoinhos de ar nos terrenos acidentados, nomeadamente na montanha, domínio incontestado das águias.

Entre as aves «boas planadores», distinguem-se duas «escolas» que se fazem concorrência mútua: há as aves de asas largas e cauda em leque: são de um modo geral rapaces, como as águias, os abutres e os falcões; as outras aproximar-se-iam mais dos planadores fabricados pelo homem: são as grandes aves marinhas, como as fragatas e os albatrozes, aos quais as asas finas e muito compridas dão uma envergadura de vários metros!

O melhor dos planadores é incontestavelmente o albatroz, que pratica de resto um voo de tipo especial: voando poucos metros acima do mar, não utiliza nem os remoinhos de ar, praticamente inexistentes a esse nível, nem as correntes térmicas, demasiado fracas. A sua técnica consiste em explorar as variações da velocidade do vento em função da altitude.

Acontece, com efeito, que o vento é muito mais «travado» em contacto com as ondas do que a 10 ou 15 metros de altitude. Quando a ave se deixa cair de bastante alto, ultrapassa a velocidade do vento, graças ao que, regulando correctamente à posição das asas, consegue voltar a subir. Fazendo isto, atinge a zona onde a velocidade do vento aumenta de um modo sensível: voltando-se então para a massa de ar que se desloca, à maneira do avião que descola, o albatroz ganha ainda mais altitude.

O voo planado do albatroz reduz-se pois a um conjunto de subidas e descidas astuciosamente alternadas, aproveitando o aumento e a diminuição da velocidade do vento.

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Direitos Dos Animais | Em: Fevereiro 18, 2009
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