O incrível mundo das aves: Quando as galinhas tinham dentes!

O incrível mundo das aves: Quando as galinhas tinham dentes!

Tendo esboçado a traços largos a história das aves, poderíamos agora interessar-nos pelos caracteres reptilinianos destes animais. A priori, não passaria certamente pela cabeça de ninguém ver entre répteis e aves um certo «ar de família»: o que sabemos do seu longínquo parentesco, porém, permite-nos compreender o grande número de caracteres fundamentais que possuem em comum.

Sabemos, por exemplo, que répteis e aves põem ovos de estruturas vizinhas que se desenvolvem exactamente da mesma maneira. E na anatomia destes animais encontram-se homologias, ainda que sem dúvida menos evidentes: aves e répteis possuem uma cloaca, via única para evacuar os produtos urinários, genitais e intestinais; as escamas que as aves apresentam nas patas são em todos os pontos semelhantes às do lagarto ou do crocodilo. Poderíamos multiplicar os exemplos das similitudes entre as duas classes; cada um destes argumentos tomados separadamente teria sem dúvida muita dificuldade em convencer o profano das relações que unem o crocodilo ao rouxinol, mas temos de admitir que o conjunto das convergências encontradas, tanto na anatomia como na fisiologia destes animais, não pode ser considerado fruto do acaso: tais semelhanças são os «traços» inevitáveis deixados por um parentesco que remonta a cerca de 150 milhões de anos.

Acrescentemos algumas palavras sobre esses famosos dentes que, como todos sabemos, as aves não possuem: conhecemos bem o significado de uma promessa remetida para «quando as galinhas tiverem dentes», mas ignoramos com frequência que, geologicamente falando, não está muito longe a época em que as aves possuíam, na verdade, dentes. Os embriões das aves que conhecemos, quer se trate de galinhas, de águias ou de flamingos, têm todos, a um dado momento da sua vida, germes dentários autênticos que abortam antes do nascimento do animal.

Trata-se de um vestígio do passado, de uma prova irrefutável de origem reptiliniana das aves que se vem juntar às outras, se preciso fosse. Não há a mínima dúvida de que se a evolução tivesse possibilidades de fazer «marcha atrás», o que faz muito raramente e sempre por acidente, as galinhas reencontrariam os dentes que perderam no decurso dos milénios, e isto para grande espanto nosso!

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Direitos Dos Animais | Em: Dezembro 5, 2008
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