O incrível mundo das aves: Evolução!

O incrível mundo das aves: Evolução!

Uma vez que os geólogos são perfeitamente capazes de datar os terrenos sedimentares, é possível saber a quando remonta a época em que vivia esta espécie de protótipo inacabado que é o arqueopterix. Os paleontólogos, especialistas em fósseis, pensam que é preciso retroceder 150 milhões de anos para situar a mutação dos répteis em aves. Haveria pois pouco menos de 150 milhões de anos que as aves sulcam os céus: isto pode parecer enorme, mas se tivermos em conta que o apareci¬mento da vida na Terra remonta a 2 biliões e 700 milhões de anos, fazem na verdade figura de recém-chegadas.

Comparadas aos insectos, que fizeram as suas primeiras tentativas de voo cerca de 200 milhões de anos antes delas, são o fruto de uma evolução recente; não foram, de resto, os primeiros vertebrados a voar: certos répteis de enormes asas membranosas deslocavam-se já em voo planado quando as primeiras aves fizeram a sua tímida aparição. Simples fenómeno de convergência, sem dúvida, essas curiosas criaturas reptilinianas a que chamamos pterodáctilo e pteronodonte tinham adquirido alguns caracteres próprios das aves, nomeadamente um comprido bico e ossos de fraca densidade.

Estes répteis voadores, de asas tão grandes que não podiam pousar em terra sob pena de nunca mais levantarem voo, foram contemporâneos das primeiras aves; mas o seu destino não era prosseguir por muito tempo uma carreira aérea: como todos os grandes répteis, deviam desaparecer no fim da era secundária.

Sob muitos aspectos, de resto, a solução encontrada pelas aves era melhor do que a deles; não procuraremos resolver aqui o problema do desaparecimento dos répteis e o aparecimento das aves (e também o dos mamíferos) existe uma coincidência pelo menos curiosa.

Era preciso que os répteis voadores desaparecessem para deixar o campo livre às aves? Terá a expansão das plantas que dão flor, nesta mesma época, inevitavelmente conjugada à dos insectos apanhadores, favorecido a invasão do globo pelas aves, seus predadores? Porque o esqueleto destes animais se conserva bastante mal, devido à estrutura tubular dos ossos, há uma lacuna de vários milhões de anos entre o arqueopterix e as primeiras aves «modernas». Entre eles situam-se o icthyornis, animal vizinho da gaivota actual, assim como o hesperornis, essa grande ave mergulhadora de bico ainda dentado, incapaz de voar.

[singlepic=301,320,240,,right]A partir do momento em que os répteis voadores desaparecem, o mundo das aves como que explode, dando nascimento a numerosas espécies. Se pudéssemos saltar para trás 20 ou 30 milhões de anos, não notaríamos grandes diferenças, pelo menos no que respeita à fauna alada; é verdade que encontraríamos aves monstruosas, com três metros de altura, mas também espécies relativamente vizinhas das que hoje existem. Os antepassados das avestruzes, das garças, dos pelicanos, dos patos e de muitas outras aves nossas conhecidas, povoavam já a Terra; mas dos milhares de espécies nascidas nessas épocas, poucas chegariam até nós. Atravessar a era quaternária seria para elas uma rude prova: as flutuações entre períodos glaciares e interglaciares, as bruscas variações das condições climáticas, fizeram uma hecatombe no mundo animal.

Entre as perturbações criadas pelas glaciações (para além do desaparecimento de numerosas espécies) há uma extremamente curiosa que põe alguns problemas quanto à definição de «espécie». Antes das glaciações, os picancilhos (aves trepadoras) formavam uma só espécie, largamente distribuída por toda a Europa; quando os glaciares dividiram, esquematicamente, o continente em duas regiões, a espécie viu-se cindida em duas populações, uma oriental, a outra ocidental. Com a ajuda do tempo, e também, sem dúvida, de certos factores geográficos, as aves ocidentais especializaram-se na exploração das cascas rugosas, ao passo que as orientais preferiam as árvores lisas.

Terminadas as glaciações, as populações ocidentais e orientais reocuparam a área abandonada pelos glaciares e «reencontraram-se». Misturaram-se, para voltar a formar uma única e mesma espécie, como seria de esperar? Nada disso: se bem que morfologicamente idênticas e fisiologicamente capazes de reproduzir-se entre si, as duas populações que tinham adquirido «hábitos» diferentes ignoraram-se como poderiam fazê-lo espécies distintas.

Temos aqui um exemplo do nascimento de duas espécies a partir de uma, duas espécies constituídas por animais morfologicamente semelhantes e teoricamente interfecundos, mas que só mantêm entre si simples relações de vizinhança.

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Direitos Dos Animais | Em: Dezembro 4, 2008
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Uma resposta para O incrível mundo das aves: Evolução!

  1. Stratus disse:

    Olá vc tem alguma coisa sobre o avanço no campo evolutivo das aves? Por exemplo os dinos emplumados de Liaoning e em que ponto se encontra a arvore evolutiva das aves?
    Grato pela atenção

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