O mundo é dos Insectos.

O mundo é dos Insectos.

Aparentemente inofensivos e frágeis, os insectos constituem um mundo de extraordinária vastidão e variedade. Ante a sua imensidade, os especialistas a que chamamos entomologistas têm consciência de que devem limitar os seus estudos a alguns grupos, se querem fazer um trabalho aprofundado; e mesmo assim as laboriosas investigações a que se entregam correm o risco de eternizar-se, pois todos os anos são descobertas novas espécies que até então passaram despercebidas à observação de um olhar todavia atento.

Admitamos que o homem catalogou até hoje mais de um milhão de espécies animais; três quartas partes de todas elas correspondem a insectos; são sem dúvida as regiões tropicais ainda mal exploradas sob este aspecto que albergam o maior número de espécimes desconhecidos: investigadores dignos de fé calculam em quatro milhões o número total de espécies de insectos existentes na Terra.

Recordamos os bandos de gafanhotos, capazes de obscurecer o céu tão densos são, imaginemos o suplício que seria contar o número de habitantes de um só formigueiro e depressa nos renderemos à evidência: a avaliação da população mundial de insectos ultrapassa o entendimento humano. Como conseguimos suportar este mundo efervescente que vive a nosso lado? A despeito da sua pequenez e mau grado a discrição que de um modo geral os caracteriza, a invasão do globo terrestre pelos insectos deve ser considerada um surpreendente êxito biológico; e a resistência destes animais às eras geológicas constitui outro não menos negligenciável!

Uma lei biológica constantemente verificada quer que o destino das grandes linhagens seja desaparecer depois de ter conhecido uma era florescente: os monstruosos répteis gigantes da era secundária não lhe escaparam. Mas os insectos, até hoje, não dão o mais pequeno sinal de extinção. Existem há mais de quatrocentos milhões de anos e parecem mais prósperos do que nunca! Estas afirmações, que suscitam naturalmente o cepticismo dos profanos, baseiam-se todavia em documentos irrefutáveis, em especial na observação de fósseis perfeitamente datados.

Como puderam cadáveres tão frágeis como os dos insectos atravessar sem perigo períodos tão fabulosamente longos? A resposta está nas condições muito particulares de fossilização, que não só permitiram a sua perfeita conservação, como também preservaram os mais pequenos pormenores da sua morfologia. Os xistos hulhíferos da era primária, que datam de há pelo menos trezentos e cinquenta milhões de anos, mostram impressões de asas surpreendentes de delicadeza, nas quais se distinguem até as mais finas nervuras!

As margas da região de Aix-en-Provence, na França, que remontam a trinta milhões de anos, contêm milhares de exemplares de moscas e de mosquitos perfeitamente reconhecíveis: estes insectos atascaram-se nas finas lamas pantanosas sem que a putrefacção pudesse destruí-los. Mas os mais belos exemplares de insectos fósseis são precisamente conservados na Sicília e na Birmânia; correspondem ao modo de fossilização mais perfeito possível: a inclusão em âmbar.

Há pelo menos trinta milhões de anos, milhares de insectos ficaram presos na resina das coníferas da época; progressiva e lentamente envolvidos, conservaram o seu aspecto original. Ao solidificar-se, mantendo a transparência, o âmbar fez prisioneiros que interessam ao mais alto grau os entomologistas de hoje.
Foi a descoberta destes arquivos naturais, constituídos no decurso dos tempos geológicos, que nos permitiu imaginar a vida na Terra há milhões de anos.

As mais antigas florestas conhecidas, as do carbonífero que datam de há cerca de trezentos e cinquenta milhões de anos abrigavam já numerosos insectos próximos da barata que hoje tanto nos repugna! Os pântanos eram frequentados por libélulas gigantes que atingiam os 75 centímetros de envergadura! Foi no início da era terciária, há sessenta e cinco milhões de anos, que surgiram numerosas formas de insectos que hoje conhecemos: chegaram até nós sem sofrer transformações notáveis.

Será o mundo dos insectos alheio à evolução? Certamente que não. Seja como for, atravessar sem percalços períodos geológicos tão longos só pode explicar-se pelas propriedades excepcionais que os insectos possuem.

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Direitos Dos Animais | Em: Fevereiro 17, 2009
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